quarta-feira, 28 de maio de 2014

Um dia destes, depois de ter ouvido cantar fado, "chorei" este poema

Fado

Solta esse cante
Solta o chorar da guitarra
Abraça o imprevisto
Que existe sempre
Entre ti e a mágoa
E no entretanto
Passeia-se a saudade
Parece menina
Mas é eterna
Pois não tem idade
E ignora completamente
O que é chorar
De gente

Paula Sá Carvalho, Maio/2014

terça-feira, 20 de maio de 2014

Intervalo

Os dias cá vão passando
Uns depois dos outros
Como convém
Só que de vez em quando
Surgem do nada uns dias
De ninguém

E é nesse espaço sem nome
Que só me apetece voar
Soltar a língua e gritar
Enfim
Que posso dizer
Apetece-me sonhar


Paula Sá Carvalho, 2014

terça-feira, 13 de maio de 2014

Por vezes sentimo-nos assim...

A dor

A dor
Não tem cor
De pele
Nem padrões
De estética
A dor
É uma parcela de nós
Que deixa de ser voz
E passa a ser ruído
Um ruído contínuo
E sem prazo de validade


Paula Sá Carvalho, 2014

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Liberdade

Vieram ventos e tempestades
Vieram longas noites e dias
Depois da união das metades
Poderá enfim ser como querias

E quando crescerá esta humanidade
De forma a olhar o outro de frente 
Quando compreenderá a verdade
Que há no igual e no divergente

Assim pudéssemos todos caminhar
Lado a lado ou de mãos dadas
Em vez de num ancestral ignorar

A solidariedade e o respeito não são fadas
Para onde caminhamos tão ceguinhos
Que nem vemos tão belas flores nos caminhos

Paula Sá  Carvalho, 24 de Abril de 2014

sexta-feira, 11 de abril de 2014


 
à minha cidade!
 
LISBOA

Nome e apelido
Colinas & maresia
Brisa leve
Tempestade
Riso breve
Saudade
 
Chora a guitarra
E chora a vizinha
Será que choram dor
Igual à minha

Amores perdidos
Amores encontrados
Vem junto a mim
À varanda
Deleitar-te de céus alaranjados

Sobe a calçada
E não tropeces na esquina
No cruzamento
Mulher/Menina

Ao sinal vermelho
Pára
Ou então acelera
Reage
Interage
Não te esqueças de respirar
Também podes navegar
Num sonho à vela


Paula Sá Carvalho, Abril de 2014

sexta-feira, 7 de março de 2014


Este é um poema que dedico especialmente à parte do todo a que pertenço
 
Ser Mulher
 
Deixam-me nascer
Às vezes
Para me aprisionarem
No meu corpo
Quase sempre
 
Enquanto jovem e bela
Desejam-me com gulodice
Quando cansada e velha
Trocam-me pela meninice
 
Dizem-me romântica
E pouco sexual
Até inventaram para o efeito
A máquina de lavar
 
Quase todos os manuais indicam
Junto com estudos sapientes
Somos feitas de uma matéria-prima
Que nos molda e nos transforma
Em seres divinais e omnipresentes
 
Para alguns
Somos a tempo inteiro
Para tantos
Servimos de cinzeiro
 
Quantas vezes nos colocamos
Pelos dias mais sombrios
À disposição de uns óculos escuros
Para evitar desafios
 
Nunca conseguimos atingir a meta
Mesmo se para além dela já partimos
(A história da humanidade é certa
Muitas vezes escrita de espada à cinta
E por pernas do meio como previmos)
 
Raros são os que sabem pensar
De mão dada com o seu par
Lado a lado a construir
A par e passo a recolher
O fruto apetecido
Trincado no devir
 
Em igualdade
E sem maldade...
 
Paula Sá Carvalho, 7/3/2014

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014


Por conta do Amor...

 

Abraço

 
Aproxima-me como uma carícia

Sopra-me esse elixir

De luz e calor

E abraça-me

Já percorremos juntos

Tantos trilhos

Sentemo-nos

A fragância dos sentidos

É agora o nosso único movimento

 

Paula Sá Carvalho, Fevereiro de 2014